Egidio não esperava que, ao chegar em casa naquela noite, encontraria seu mundo virado de cabeça para baixo. Ao abrir a porta, ele foi recebido por um cenário de destruição: móveis quebrados, quadros rasgados, e o silêncio sombrio que pairava no ar. Tudo estava em pedaços, como se um furacão tivesse passado por ali.
Antes que pudesse reagir, Marçal surgiu das sombras, uma arma em punho, com um olhar que misturava raiva e frustração. Egidio ficou paralisado por um momento, tentando entender o que estava acontecendo.
“Nem pense em se mexer, Egidio,” disse Marçal, com uma voz firme e carregada de rancor. “O coronel Pica Pau pode ter poder, mas nunca terá o talento que seu pai tinha.”
Egidio, percebendo a gravidade da situação, tentou negociar. “Marçal, não precisa ser assim. Posso te dar o que quiser. Dinheiro, terras… qualquer coisa, mas me deixe viver.”
Mas Marçal não estava interessado em acordos.
Com um movimento rápido, ele empurrou Egidio no chão, deixando claro que a conversa tinha acabado. “Confiei em você por tempo demais, Egidio. Fui leal ao coronel, mas tudo o que recebi foi desprezo e humilhação.”
Egidio percebeu que estava diante de uma situação terrível, da qual talvez não houvesse escapatória.
Os olhos de Marçal estavam cheios de determinação, e a arma que ele segurava parecia ser a sentença final para Egidio. Todos os seus erros e maldades pareciam estar prestes a cobrar seu preço de uma vez.